O vice-presidente da Pública Central do Servidor, Wanderci Polaquini, participou do último episódio do Fisco Podcast, do Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf), com o jornalista Tarcísio Matos, exibido nesta segunda-feira, 6 de outubro. Polaquini fez uma análise detalhada da Reforma Administrativa, denunciando a falta de transparência na condução do debate e alertando sobre o risco de colapso nos fundos de previdência com a proposta de precarização.
Polaquini denunciou que o texto da reforma não foi disponibilizado sequer para os deputados que fizeram parte do grupo de trabalho, em uma afronta ao processo democrático. O texto foi construído com apoio de empresários e grupos do setor privado e foi divulgado primeiramente para a imprensa. Reforçou que a Pública e as centrais sindicais estão dispostas a discutir melhorias, mas não podem aceitar um projeto construído às pressas, sem a participação efetiva e de forma transparente de todos os interessados.
A narrativa construída para ganhar a opinião pública é falaciosa, já que supersalários e privilégios atingem apenas 0,06% dos servidores. O objetivo final da reforma não seria estruturar o Estado, mas sim precarizar o serviço para justificar a terceirização. O vice-presidente detalhou os mecanismos de ataque, como a perda de autonomia, a criação de cargos por tempo determinado, e a desvalorização da carreira, com a limitação da remuneração inicial a 50% da remuneração final. Polaquini também citou dados que mostram que o Brasil, com apenas 12 servidores públicos a cada 100 trabalhadores, está na contramão de países desenvolvidos, que têm mais de 20 na proporção.
Além das ameaças diretas à carreira, Polaquini alertou para o risco do colapso dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Ele explicou que a flexibilização do Regime Jurídico Único (RJU) permite a contratação via CLT, o que interrompe a contribuição da “geração futura” para os RPPS. Sem essa contribuição, os fundos de previdência sofrerão um colapso, obrigando os tesouros estaduais e municipais a usar recursos que deveriam ir para a saúde e educação para cobrir o déficit.
Por fim, o vice-presidente reforçou que o serviço público não busca lucro, mas sim atender à população de forma universal, citando o exemplo de equipes de saúde e justiça que navegam por 15 dias na Amazônia para levar atendimento às aldeias isoladas.
Wanderci concluiu reforçando o papel das entidades sindicais e a necessidade de mobilização. Polaquini pediu aos servidores que visitem seus deputados nas bases, enviem e-mails e liguem para os gabinetes, pois é preciso levar a informação técnica aos parlamentares para que eles não votem com base apenas na influência da imprensa e das lideranças.
